@site por Nathalia Cruz 2016

tecitura do espaço / space weaving

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Tecitura do Espaço

 

O trabalho tem como ponto de partida longas caminhadas pelas ruas de Lisboa, em Portugal, onde  a artista escolhe recortes da cidade e começa a estudá-los enquanto forma, cor e luz.

 

Paula, desenvolve um processo aparentemente antagônico, pois ao passo que limita o enquadramento, desconstrói os limites arquitetônicos, incluindo aos poucos, elementos emprestados de prédios vizinhos, sombras, telhados e paredes, estendendo a compreensão do que é aquele edifício, borrando os limites.

 

Assim, algo novo é criado, há uma ilusão, uma distorção da percepção, a matéria se funde, as sombras se intensificam e a luz desvenda possibilidades, revelando a profundidade das relações. Cores que sugerem movimento, múltiplos planos criando dimensões através da distância, linhas que concomitantemente se unem e se separam, como um caleidoscópio que gera uma imagem surreal, conduzindo o olhar a participar deste jogo de imaginação, ressignificar um caminho já conhecido.

 

Ao manipular os fragmentos e organizá-los em continuidade, a aproximação das formas cria unidade, organizando o espaço físico ao passo que desafia o espaço psíquico. Qual é a verdade por trás desta experiência estética?

 

O interesse pela busca formal no trabalho dialoga com a produção construtiva brasileira pós 2a. Guerra Mundial, porém Paula não se atém às estruturas formais pré concebidas, bem como seu trabalho não é imersivo, Clerman está centrada no processo criativo que leva à construção da imagem numa constante evolutiva de desdobramentos, se aproximando de uma linguagem pictórica no campo expandido.

 

 

 

 

Space Weaving

This project stems from long walks on the streets of Lisbon, where the artist selected slices of the city to study their shapes, colors, and lights.

Paula develops a seemingly antagonistic process. While she limits the framing, she also deconstructs architectural boundaries by gradually adding elements borrowed from neighboring buildings, shadows, roofs, and walls, thus extending the concept of that building through blurred lines.

Something new is then created. There is an illusion, a perception distortion. There is merging of matter, shadows are intensified, and light unveils possibilities, revealing the depth of these relations.

Colors suggest movement and multiple grounds give us dimensions through distances. We find lines that unite and dissipate concurrently, as a kaleidoscope generating a surreal pattern, directing our eyes to take part in this imagination game and resignify a familiar path.

By manipulating and organizing these fragments with continuity, the approximation of shapes creates a unity – it organizes the physical space while challenging the psychic space.

What is the truth behind this aesthetic experience? The quest for architectural formality in this work interacts with the Brazilian Constructivist art movement following World War II. However, Paula is not restricted to pre-conceived formal structures, nor is her work immersive. The artist is focused on the creative process that leads to image construction in an evolutionary constant of reactions, nearing a pictorial language in the expanded field.